CRMV: hospedagem acusada de maus-tratos não
possui registro
Estabelecimento, pertence à
estudante de veterinária Monique Rocha, que foi indiciada por maus-tratos contra
animais
RIO — A hospedagem de animais Anjos de Quatro Patas, em Maria da Graça, Zona
Norte do Rio, não possui registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária
do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ). A informação foi divulgada por meio de
nota pelo próprio conselho, que, nesta quarta-feira, realizou uma vistoria no
local. O estabelecimento, pertence à estudante de veterinária Monique Rocha,
que foi indiciada por maus-tratos contra animais. Monique foi denunciada por
seis pessoas ligadas ao Abrigo João Rosa, que fica em Pilares, Zona Norte do
Rio, no último domingo, e na terça-feira pela proprietária de um dos animais
que ficou hospedado no local.
Segundo o coordenador do setor de Fiscalização do
CRMV-RJ, José Luís Peçanha, o Abrigo João Rosa, que fez a denúnica, também não
é registrada junto ao Conselho. “As duas instituições estão irregulares. Não
possuem certificado junto ao CRMV-RJ. O próximo passo do Conselho é informar o
caso à Vigilância Sanitária e à Superintendência da Receita Federal para que as
medidas cabíveis sejam tomadas”, explica Peçanha, em nota.
O Abrigo João Rosa, no entanto, diz que, por não ser uma
organização não-governamental, não possui alvará e, pelo mesmo motivo, não é
cadastrado pelo CRMV-RJ. “Não possuímos veterinários dentro do abrigo, trabalhando
no interior dele, justamente por não sermos uma ONG, mas possuímos a ajuda
voluntária de alguns”, informa o comunicado. A instituição diz ainda que o
terreno onde funciona é uma concessão da prefeitura e que o centro de controle
de zoonoses e a vigilância sanitária nunca constataram nenhuma irregularidade
no local. Segundo a nota, o abrigo está providenciando a transição para ONG e
registro junto ao CRMV-RJ, conforme orientação do próprio conselho.
Já a hospedagem Anjos de Quatro Patas, além de não estar
cadastrada no CRMV-RJ, não possui licença ambiental e alvará de funcionamento,
segundo a Polícia Civil. O delegado-titular da Delegacia de Proteção ao Meio
Ambiente (DPMA), José Fagundes de Rezende, que investiga as denúncias, disse,
nesta quarta-feira, que apura ainda se outros casos como este ocorreram no
estabelecimento. Segundo ele, Monique pode responder ainda por estelionato, já
que recebia para cuidar dos cães e aparentemente não prestava o serviço.
Os voluntários do Abrigo João Rosa e a equipe da
Secretaria Especial de Proteção e Defesa dos Animais (Sepda) retiraram oito
animais da hospedagem. Três já haviam sido recolhidos no domingo. Um deles, o
boxer Billy Bob, acabou morrendo na segunda-feira. Na manhã de terça-feira,
Marília dos Anjos Marins também denunciou a veterinária, afirmando que não
teria deixado que ela visse Mel, sua cocker spaniel, durante três meses. O
animal estaria subnutrido e com falhas nos pelos. Por cada um dos casos,
Monique pode pegar de 1 a 4 anos de reclusão.